Desenvolvimento Web · Saúde Digital Web Development · Digital Health

O site que eu construí mas não desenhei: sobre colocar código a serviço de quem cuida The site I built but didn't design: putting code in service of caregivers

Um portal de saúde para famílias de crianças com TEA — onde meu papel foi fazer a estrutura funcionar, não criar a identidade. A health portal for families of children with ASD — where my job was to make the infrastructure work, not design the identity.

HTML/CSSJavaScriptCMS IntegrationFront-end DevelopmentWeb Design

O contexto

Em algum momento entre 2017 e 2019, enquanto eu ainda estava na 2t's Agency, chegou um projeto diferente do que a agência costumava fazer. A 2t's era focada em marketing farmacêutico e de saúde — banners animados, e-mails B2C, ferramentas para equipes de venda. O Autismo em Dia era outra coisa: um portal informativo real, com área restrita, múltiplos perfis de usuário e uma proposta de impacto social genuína. O cliente era a Supera Farma.

A ideia era criar um hub digital para famílias que convivem com o Transtorno do Espectro Autista. Não uma campanha, não um hotsite promocional — um recurso permanente. Médicos, profissionais de apoio, pais, mães e cuidadores teriam acesso a conteúdo especializado segmentado por perfil: materiais para download, FAQs, vídeos, notícias e uma série de outros recursos. O mascote era um menino chamado Peri e seu cachorro Don, personagens de uma animação chamada "As Aventuras de Peri & Don", que funcionavam como ponto de entrada lúdico para crianças e famílias.

O meu papel

Meu trabalho aqui foi técnico. Eu não criei a identidade visual, não defini a arquitetura de informação, não conduzi pesquisas com usuários. Entrei para construir o front-end e integrar o sistema de gerenciamento de conteúdo — basicamente, fazer o site funcionar de verdade.

Isso significava pegar o design que chegou até mim e transformá-lo em HTML, CSS e JavaScript funcionais. Significava também integrar o CMS para que a equipe do cliente conseguisse atualizar conteúdo sem precisar de suporte técnico a cada publicação nova. E significava garantir que a área restrita — com quatro perfis distintos — funcionasse corretamente: o que um médico vê não é o que um cuidador vê.

É o tipo de trabalho que não aparece em screenshot. Mas que, se não funciona, ninguém consegue usar o que foi desenhado.

O que o projeto tinha

O portal tinha uma complexidade estrutural que ia além de um site institucional padrão. Algumas coisas que me lembro:

Área restrita segmentada por perfil. Médicos, profissionais de apoio, crianças, pais/mães/cuidadores — cada grupo tinha seu próprio ambiente com conteúdo relevante para seu contexto. Controle de acesso real, não só visual.

Biblioteca de recursos por área. Materiais para download, FAQs, vídeos e notícias organizados dentro de cada seção. Não era um blog simples — era um repositório de conteúdo estruturado.

Integração com CMS. O cliente precisava conseguir publicar conteúdo novo sem depender do time de desenvolvimento. Parte do meu trabalho foi garantir que a integração fosse estável e que o painel ficasse usável para quem não era técnico.

Visual com identidade forte. O site usava muito o magenta e roxo da marca, com os personagens animados como âncora emocional. Não era o tipo de projeto onde você podia simplificar o layout — a identidade visual era central para a proposta do cliente.

O resultado

O site foi ao ar. Isso é o que importa em termos de entrega. Um portal de saúde para uma população que precisa muito de informação organizada e confiável saiu do papel e chegou para quem precisava.

Não tenho dados sobre quantas famílias usaram, não tenho prints além do screenshot que ainda existe no Wayback Machine. O projeto é de uma fase da minha carreira onde eu não tinha o hábito de documentar o que entregava — e em agência de marketing farmacêutico, ninguém te ensina a montar portfólio de UX.

O que eu aprendi

Código sem contexto de uso é decoração. Nesse projeto, pela primeira vez trabalhei com controle de acesso e conteúdo segmentado por perfil de usuário. Entender que diferentes pessoas chegam ao mesmo domínio com necessidades radicalmente diferentes é uma lição que depois virou fundamento do jeito que eu penso arquitetura de informação.

Projetos de saúde têm tolerância zero para ambiguidade. Quando o usuário é um cuidador de criança com TEA procurando material de apoio, um link quebrado ou uma seção mal organizada tem peso diferente de um e-commerce com produto fora de catálogo. Isso me ensinou a levar acessibilidade e clareza a sério bem antes de eu ter vocabulário formal para falar sobre isso.

The context

Sometime between 2017 and 2019, while I was still at 2t's Agency, a project came in that was different from what we usually worked on. The agency was focused on pharmaceutical and health marketing — animated banners, B2C emails, sales team tools. Autismo em Dia was something else: a real informational portal with restricted access areas, multiple user profiles, and a genuine social impact mission. The client was Supera Farma.

Autismo em Dia homepage — the only available image, recovered via Wayback Machine. The site featured restricted areas for doctors, support professionals, parents, and caregivers.

Autismo em Dia homepage — the only available image, recovered via Wayback Machine. The site featured restricted areas for doctors, support professionals, parents, and caregivers.

The idea was to build a digital hub for families living with Autism Spectrum Disorder. Not a campaign, not a promotional microsite — a permanent resource. Doctors, support professionals, parents, and caregivers would each have access to specialized content segmented by profile: downloadable materials, FAQs, videos, news, and a range of other resources. The mascot was a boy named Peri and his dog Don, characters from an animation called "The Adventures of Peri & Don," which served as an accessible, playful entry point for children and families.

My role

My work here was technical. I didn't create the visual identity, didn't define the information architecture, didn't run user research. I came in to build the front-end and integrate the content management system — essentially, to make the site actually work.

That meant taking the design that was handed to me and turning it into functional HTML, CSS, and JavaScript. It also meant integrating a CMS so the client's team could update content without needing technical support every time they wanted to publish something new. And it meant making sure the restricted access area — with four distinct user profiles — worked correctly: what a doctor sees isn't what a caregiver sees.

It's the kind of work that doesn't show up in a screenshot. But if it doesn't work, no one can use what was designed.

What the project contained

The portal had structural complexity well beyond a standard institutional site. Some things I remember:

Profile-segmented restricted access. Doctors, support professionals, children, parents and caregivers — each group had their own environment with content relevant to their context. Real access control, not just visual.

Resource library by area. Downloadable materials, FAQs, videos, and news organized within each section. It wasn't a simple blog — it was a structured content repository.

CMS integration. The client needed to be able to publish new content without depending on the development team. Part of my work was making sure the integration was stable and that the dashboard was usable for non-technical people.

Strong visual identity. The site used the brand's magenta and purple heavily, with the animated characters as an emotional anchor. It wasn't the kind of project where you could simplify the layout — the visual identity was central to what the client was trying to achieve.

The outcome

The site launched. That's what matters in terms of delivery. A health portal for a population that really needs organized, trustworthy information made it from concept to live.

I don't have data on how many families used it. I don't have screenshots beyond what still exists on the Wayback Machine. This project is from a phase of my career when I hadn't built the habit of documenting what I delivered — and in a pharmaceutical marketing agency, nobody teaches you how to build a UX portfolio.

What I learned

Code without use context is decoration. On this project, I worked with access control and profile-segmented content for the first time. Understanding that different people arrive at the same domain with radically different needs is a lesson that later became a foundation of how I think about information architecture.

Health projects have zero tolerance for ambiguity. When your user is a caregiver of a child with ASD searching for support materials, a broken link or a poorly organized section carries different weight than an e-commerce item being out of stock. That taught me to take accessibility and clarity seriously long before I had the formal vocabulary to talk about it.