Identidade Visual · Branding Visual Identity · Branding

Quando um produto nasce no meio de uma pandemia e precisa de um rosto When a product is born mid-pandemic and needs a face

A Wa Project criou uma plataforma de eventos digitais do zero. Meu trabalho foi dar identidade a algo que ainda não existia — sem briefing fechado, só confiança. WA Project built a live event platform from scratch. My job was to give a face to something that didn't exist yet — no tight brief, just trust.

Brand IdentityLogo DesignTypographyColor SystemsIconography

O contexto

Era 2020 e o mundo tinha acabado de descobrir que reunir pessoas fisicamente não era mais uma opção. A WA Project — software house onde eu trabalhava como designer de produto — já fazia projetos de outsourcing para empresas grandes. Mas com a pandemia, chegaram demandas de um tipo diferente: eventos corporativos online, transmissões ao vivo, espaços digitais para conectar pessoas que não podiam mais se encontrar.

A empresa respondeu do jeito que software house costuma responder: construindo. Em pouco tempo tinha um produto próprio — uma plataforma de eventos online com transmissão ao vivo, chat, fórum e outras funcionalidades. Funcionava. Estava rodando. Só faltava um nome e uma cara.

O problema

O produto tinha nascido rápido, por necessidade. O que não tinha nascido ainda era uma identidade — não havia logo, não havia paleta, não havia tipografia definida. Era uma plataforma sem rosto sendo apresentada a clientes como Bradesco, ArcelorMittal e Hospital Sírio Libanês.

O briefing que recebi era propositalmente aberto: a plataforma se chamaria Watch. (o ponto faz parte do nome), e a ideia central era simples — as pessoas entram para assistir. A partir daí, era comigo.

Ter liberdade criativa total soa bem no papel. Na prática, significa que você precisa construir os próprios limites antes de começar a criar. Sem restrição de cor, sem direção estética definida, sem referências obrigatórias — qualquer caminho era possível, e isso torna a escolha mais difícil, não mais fácil.

O processo

Entendendo o produto antes de criar a marca

Antes de abrir o Figma, precisei entender o que o Watch. realmente era. Não era uma plataforma de streaming de entretenimento — era uma ferramenta corporativa. Os usuários não eram consumidores escolhendo o que assistir; eram profissionais participando de eventos da empresa, médicos acompanhando congressos, colaboradores em onboardings. O contexto de uso era formal, mas o produto precisava parecer acessível.

Essa distinção importou muito na hora de tomar decisões. Uma identidade pesada demais soaria burocrática. Uma identidade descontraída demais perderia credibilidade com os clientes corporativos da WA.

O nome como ponto de partida

Watch. tem algo interessante: o ponto final faz parte do nome. Não é pontuação — é identidade. Isso me deu uma âncora visual clara. O ponto precisava aparecer de alguma forma na marca, não como detalhe decorativo, mas como elemento funcional que carregasse significado.

A solução foi transformar o ponto em um ícone de play — o símbolo mais universal para "assistir". Simples, direto, sem precisar explicar. É o tipo de decisão que parece óbvia depois que está feita, mas que exige um caminho de exploração para chegar.

Cores: amplitude sem perder coerência

O desafio de cor foi real. A plataforma precisava atender eventos de empresas muito diferentes — um evento do Bradesco não tem a mesma cara que um congresso médico do Sírio Libanês. Criar uma identidade engessada em duas ou três cores seria limitar a capacidade da marca de se adaptar ao contexto de cada cliente.

A solução foi construir um sistema. A identidade principal usa um gradiente de azul para magenta — vibrante, moderno, tech — mas o brandbook documenta variações de cor que funcionam sobre fundos sólidos diferentes: laranja, verde, azul escuro. Isso dá flexibilidade real sem perder consistência: qualquer variação segue as mesmas regras de proporção e contraste.

Ícones, pictogramas e avatar

A identidade foi além do logo. Documentei um sistema de ícones para a interface, um conjunto de pictogramas para categorias de eventos, e até um avatar padrão para usuários sem foto — aquele mascote azul que aparece quando alguém ainda não configurou o perfil. Cada elemento seguia as mesmas regras visuais: formas arredondadas, contraste alto, personalidade sem afetação.

Tipografia: uma fonte para tudo

Para tipografia, escolhi a Readex Pro — uma fonte com amplo suporte a idiomas (incluindo árabe e hebraico), o que fazia sentido para uma plataforma que poderia crescer internacionalmente, mas principalmente porque ela funciona muito bem em diferentes pesos e tamanhos dentro de uma interface digital. É legível em corpo pequeno e tem presença em títulos grandes. Uma fonte, vários contextos.

O resultado

Entreguei uma identidade visual completa: logotipo e suas variações (padrão, redução, preto e branco), sistema de cores com gradientes documentados, tipografia com escala definida, e biblioteca de ícones e pictogramas. Tudo documentado em brandbook para que qualquer pessoa do time pudesse aplicar sem precisar me consultar.

O Watch. foi ao ar e passou a atender eventos de empresas como Bradesco, ArcelorMittal, Hospital Sírio Libanês e várias outras. A identidade que eu tinha criado apareceu em salas de transmissão ao vivo onde executivos apresentavam resultados, médicos acompanhavam congressos e colaboradores participavam de treinamentos. Ver a marca funcionando em contextos tão diferentes foi a validação mais concreta de que o sistema de cores flexível tinha sido a decisão certa.

O que eu aprendi

Briefing aberto não é ausência de direção — é confiança. Quando recebi liberdade total, meu primeiro instinto foi procurar restrições que não existiam. Com o tempo entendi que a confiança de um time no trabalho do designer é uma forma de briefing em si. A responsabilidade de definir os limites faz parte do trabalho.

Sistemas escalam, peças avulsas não. A decisão de construir um sistema de cores em vez de definir "a paleta do Watch." foi o que permitiu que a marca funcionasse em contextos tão diferentes. Uma identidade que só funciona nas condições ideais não está pronta para o mundo real.

A marca de um produto SaaS não é decoração — é interface. Quando a identidade visual aparece dentro da plataforma (loading screen, avatar padrão, ícones), ela para de ser branding e vira UX. Trabalhar nesses dois planos ao mesmo tempo mudou como eu penso sobre identidade de produtos digitais.

The context

It was 2020 and the world had just figured out that getting people together physically wasn't an option anymore. WA Project — the software house where I worked as a product designer — already handled outsourcing projects for large companies. But with the pandemic came a different kind of demand: online corporate events, live broadcasts, digital spaces for people who could no longer meet in person.

The company responded the way software houses usually do: by building. In a short time, they had their own product — a live events platform with streaming, chat, forums, and other features. It worked. It was running. It just didn't have a name or a face yet.

The problem

The product had been born fast, out of necessity. What hadn't been born yet was an identity — no logo, no color palette, no defined typography. It was a faceless platform being pitched to clients like Bradesco, ArcelorMittal, and Hospital Sírio Libanês.

The brief I received was intentionally open: the platform would be called Watch. (the period is part of the name), and the core idea was simple — people come in to watch. Everything else was up to me.

Having complete creative freedom sounds great on paper. In practice, it means you have to build your own constraints before you can start creating. No required color direction, no defined aesthetic, no mandatory references — every path was possible, which makes the choice harder, not easier.

The process

Understanding the product before building the brand

Before opening Figma, I needed to understand what Watch. actually was. This wasn't an entertainment streaming platform — it was a corporate tool. Users weren't consumers choosing what to watch; they were professionals attending company events, doctors following medical conferences, employees going through onboarding. The context was formal, but the product needed to feel approachable.

That distinction mattered a lot when making decisions. A too-heavy identity would feel bureaucratic. A too-casual identity would lose credibility with WA's corporate clients.

The name as a starting point

Watch. has something interesting: the period is part of the name. It's not punctuation — it's identity. That gave me a clear visual anchor. The period needed to appear in the mark somehow, not as a decorative detail, but as a functional element that carried meaning.

The solution was to turn the period into a play icon — the most universal symbol for "watch." Simple, direct, no explanation needed. It's the kind of decision that feels obvious once it's done, but it takes a real exploration process to get there.

Color: range without losing coherence

The color challenge was real. The platform needed to serve events from very different companies — a Bradesco event doesn't look like a Sírio Libanês medical conference. Building a rigid identity around two or three colors would limit the brand's ability to adapt to each client's context.

The solution was to build a system. The main identity uses a blue-to-magenta gradient — vibrant, modern, tech — but the brand guidelines document color variations that work on different solid backgrounds: orange, green, dark blue. This gives real flexibility without losing consistency: any variation follows the same proportion and contrast rules.

Icons, pictograms, and avatar

The identity went beyond the logo. I documented an icon system for the interface, a set of pictograms for event categories, and even a default avatar for users without a profile photo — that blue mascot that shows up when someone hasn't set up their profile yet. Every element followed the same visual rules: rounded shapes, high contrast, personality without affectation.

Typography: one font for everything

For typography, I chose Readex Pro — a font with broad language support (including Arabic and Hebrew), which made sense for a platform with potential international growth, but mainly because it works well across different weights and sizes in a digital interface. It's legible at small body sizes and has presence at large heading sizes. One font, many contexts.

The result

I delivered a complete visual identity: logotype and its variations (standard, reduced, black and white), a color system with documented gradients, typography with a defined scale, and an icon and pictogram library. Everything was documented in a brand guidelines document so anyone on the team could apply it without needing to ask me.

Watch. went live and started serving events for companies like Bradesco, ArcelorMittal, Hospital Sírio Libanês, and many others. The identity I'd created appeared in live broadcast rooms where executives presented results, doctors followed conferences, and employees attended training sessions. Seeing the brand work across such different contexts was the most concrete validation that the flexible color system had been the right call.

What I learned

An open brief isn't the absence of direction — it's trust. When I received total creative freedom, my first instinct was to look for constraints that weren't there. Over time I understood that a team's confidence in a designer's work is itself a form of brief. Defining the boundaries is part of the job.

Systems scale, one-off pieces don't. The decision to build a color system instead of just defining "the Watch. palette" was what allowed the brand to work across such different contexts. An identity that only works under ideal conditions isn't ready for the real world.

A SaaS product's brand isn't decoration — it's interface. When the visual identity appears inside the platform (loading screen, default avatar, icons), it stops being branding and becomes UX. Working across both planes at once changed how I think about digital product identity.